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Baseado no romance com o mesmo nome de Chuck Palahniuk, “Fight Club” tem argumento de Jim Uhls, o primeiro de uma carreira discreta onde apenas há uma outra longa-metragem, “Sweet Talk” (2014).

O filme de Fincher tem um Narrador que é também uma das personagens principais,

(interpretado pelo genial actor Edward Norton, num dos melhores papéis da sua carreira), através do qual a história cresce muito para além de uma sinopse restritiva de um filme sobre luta clandestina. A voz do Narrador, diz Fincher, “dá à história uma profundidade e um humor sem os quais era apenas triste e ridícula”. O filme, ao longo de poucos anos, mostrou ter a verdadeira essência de um filme-culto, símbolo da vontade de aniquilação e morte de uma geração sem objetivos e sem poder. É isto tudo que faz a durabilidade deste filme, nomeado para o Oscar de Melhores Efeitos Sonoros, e que confirmou o realizador David Fincher como um dos mais interessantes do seu tempo.

O filme começa lentamente, até atingir um clímax. Sem arranjar solução para a sua falta de sono, depois de tentar grupos de auto-ajuda, o Narrador (Edward Norton) encontra alguma paz na dor e lágrimas dos outros. A sua amizade com Tyler Durden (Brad Pitt) torna-se numa mola para todo o filme, num crescendo fortíssimo até o final. Sedutor, demoníaco até, Durden é o contraponto à insegurança do amigo, num poderoso retrato da insatisfação de uma sociedade que não sabe para onde vai, dominada pelo consumismo e pelos media, numa substituição do “eu compro, por isso existo” por “eu sangro, por isso existo”. No papel da “femme-fatale” que busca o grupo de ajuda, há ainda a fabulosa Helena Bonham – Carter, numa viragem de carreira que a levará a Tim Burton e alguns papéis marcantes dentro do género fantástico.

 

David Fincher Depois de uma longa carreira, entre 1984 e 1994, a fazer clips musicais para gente como Michael Jackson, Madonna, George Michael, The Rolling Stones, Aerosmith, Iggy Pop ou Patty Smith, David Fincher arrisca fazer a sua primeira longa metragem de ficção, “Alien 3”, (1992), depois com “Seven”, já com Brad Pitt e filme vencedor do Grande Prémio do Fantasporto em 1996. Segue-se “The Game” (1997) com Michael Douglas e este “Fight Club” dois anos depois. Sem abandonar a realização de clips de música, David Fincher mergulha novamente nas angústias do thriller com “ Panic Room” com Jodie Foster (2002), a seguir “The Curious Case of Benjamin Button”, talvez o seu filme mais poético, (2008) e novamente com Brad Pitt, “Zodiac” ( 2007), “The Social Network” (2010), “The Girl With The Dragon Tattoo” (2011) e “Gone Girl” (2014). Com trabalho em televisão, de que se destaca “House of Cards” e “Mindhunter”, o realizador volta ao grande Cinema, mostrando a sua relação permanente com alguns dos melhores actores de Hollywood da sua geração. Desta vez com Gary Oldman, “Mank” (2020), o seu mais recente filme, é um olhar sobre a Hollywood dos anos 30 e sobre as lutas do argumentista de “Citizen Kane”, H. J. Mankiewicz para terminar o script desse filme.

 

Título original. The Fight Club. Realização: David Fincher. Argumento: Chuck Palahniuk, Jim Uhls. País: Estados Unidos. Actores: Brad Pitt, Edward Norton, Helena Bonham-Carter, Meat Loaf, Zach Grenier, Richmond Arquette, David Andrews. Duração: 139’