OS PREMIADOS 2020

OS PREMIADOS 2020


“Ghostmaster” de Paul Young, uma comédia fantástica, com uns toques de gore, foi o grande vencedor da 40ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto. Uma equipa de filmagens em acção. O assistente de realização é constantemente humilhado por todos. Mas o que estes não sabem é que ele escreveu o argumento de um filme com forças maléficas. Muito humor, alguma influência da Manga japonesa e um ambiente delirante que lembram os primeiros filmes gore de Peter Jackson.

 

Para o nosso conhecido Sabu, já vencedor do Fantas por duas vezes o júri constituído por Francisco Bendomir, realizador argentino, Pedro Farate, produtor português e Julian Richards, realizador de distribuidor “Dancing Mary” viria a conquistar o Prémio de Melhor Realização. De novo uma comédia fantástica que se passa em torno de do fantasma de uma dançarina que assombra um velho teatro que uma Câmara pretende demolir para construir um grande empreendimento.

O prémio de Melhor Actor foi para Leif Edlund em Koko-Di Koko-Da, uma co-produção entre a Suécia e a Dinamarca. O Prémio para a melhor atriz volta ser para a Ásia, concretamente para as Filipinas, Christine Reyes no filme Untrue.

 

O nosso conhecido Roderick Cabrido, das Filipinas, leva também o importante prémio de Melhor Realizador pelo seu fantástico e terrífico filme Clarita.Nos anos 50, um caso de possessão faz notícia nos jornais. A vítima é uma jovem. Os padres debatem mas Clarita é um enigma. Com brilhantes efeitos visuais, muito pouco usuais no cinema filipino, este é o novo filme de Roderick Cabrido que já apresentou, em 2015 e em pessoa, o duríssimo “Children’s Show” com que ganhou o Prémio Especial do Júri da Secção Oficial Orient Express.

 

Chris Bavota e Lee Paula Springer realizadores do filme Dead Dicks vindo do Canadá, são igualmente os argumentistas do filme a quem o Júri Internacional lhes atribuiu o Prémio de melhor argumento. Depois de receber uma chamada do irmão Ritchie que tem tendências suicidas, Rebecca encontra-o no apartamento bem de saúde mas rodeado de mortos iguais a ele. Um dos mais originais filmes dos últimos tempos, onde o fantástico se cruza com uma história dramática e terna entre irmãos, não muito longe dos filmes de David Lynch.  O Prémio doas Melhores Efeitos Visuais foi para o russo de horror sobrenatural, The Soul Conductor de Ilya Maximov. Rodeada de fantasmas a vida toda, Katya anda à procura da sua irmã gémea, Larissa, que desapareceu.  Mas parece não ter ajuda de ninguém da aldeia, nem da própria polícia. Afinal, não foi só a irmã que desapareceu, foram mais pessoas. O segredo começa a revelar-se. O filme é distribuído pela Fox.

 

A Melhor Curta Metragem foi para Espanha, para Moros en la Costa de Damiá Serra Cauchetiez. No fundo a história de um encontro amoroso entre um muçulmano e um jovem na casa deste que se torna num autêntico pesadelo.

 

O Júri considerou ainda que deveria referir um outro filme que se destacou na competição através da atribuição de um a Menção Honrosa. Desta vez destinada à Coreia e ao filme Fallen, cuja equipa do filme que se deslocaram de Seoul, se manteve no Porto durante todo o festival, sendo motor de uma festa contínua que envolveu organização e muitos dos convidados do Festival.

 

TAIWAN E COREIA VENCEM ORIENT EXPRESS

 

O primeiro filme que o festival exibe a concurso vindo de Taiwan, Detention de John HSU é o vencedor do Prémio Especial do Juri da secção oficial Orient Express. Por sua vez Bring Me Home de Seung-Woo Kim, cuja protagonista já tinha vencido o Prémio de Melhor actriz, na Semana dos Realizadores, vence aqui o Grande Prémio Orient Express do Fantas 40 anos.

BUNKER, VENCE FILME e ETIC, MELHOR ESCOLA, no PRÉMIO DO CINEMA PORTUGUÊS

O Júri do Prémio de Cinema Português constituído pela actriz Susie Filipe, a produtora Regina Machado, bem como por Danyel Guerra, escritor e Rui Jorge Oliveira, actor decidiram atribuir o Prémio de Cinema Português 2020 ao filme de João Estrada, “Bunker”, dando ainda uma menção ao documentário de Luis Moya, “Por Detrás da Moeda”, filme que viria igualmente a receber o Prémio do Público. A curiosidade deste filme de Moya é que nos traz para o grande écran o que se esconde atrás dos músicos que actuam nas ruas do centro do Porto. Luís Moya renova aqui o seu estilo de imersão em mundos que se revelam difíceis mas também cheios de humanidade, e vive o dia-a-dia destes músicos e personalidades originais que poucos conhecem.

O Prémio destinado à Melhor Escola de Cinema foi para a EPI/ETIC e o Prémio de Criatividade destinado a filme de escola foi para “Leo” de Maria Eduarda Rodrigues

 

GRANDE PRÉMIO DA SEMANA DOS REALIZADORES – PRÉMIO MANOEL DE OLIVEIRA

MANCHEVSKI VOLTA A VENCER COM WILLOW

 

Milcho Manchevski e o seu WILLOW, que hoje será exibido pelas 19 horas, no Rivoli, na presença do realizador, foi o vencedor, pela segunda vez em três anos, do Grande Prémio da Semana dos Realizadores - Prémio Manoel de Oliveira na 40ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto. Um dos mais afamados realizadores da actualidade, já vencedor do Leão de Ouro de Veneza ou de Prémios em Berlim entre outros, em 2016 já tinha visto a sua obra homenageada no Festival do Porto com o Prémio por uma Carreira.

O Júri Internacional, constituído pelos britânicos Anton Bitel e Nigel Floyd ambos críticos de cinema em meios como a Sight and Sound, Rotten Tomatoes ou Time Out, e o realizador português do mais premiado filme de sempre da história do cinema em Portugal, A Vida Sublime, atribuiu também dois importantes prémios ao húngaro Béla Bagoti, (ainda presente no Porto), o Prémio de Melhor Realizador e Melhor Argumento - pelo seu filme VALAN – VALLEY OF THE ANGELS, o qual brevemente estreará comercialmente em Portugal. O Prémio para o Melhor Actor iria para Cem Bender do filme turco OMAR AND US,  e o de Melhor Actriz para a coreana Yeong- Ae Lee, já nossa conhecida em I SAW THE DEVIL, e aqui vencedora em BRING ME HOME, de Seung-Woo Kim. O Prémio Prémio Especial do Júri foi para a obra de Francisco Bendomir, UNA CHICA INVISIBILE, um filme divertido vindo da Argentina sobre o uso da tecnologia.

É uma co-produção entre República da Macedónia, a Hungria e a Bélgica no qual três mulheres têm de lutar pelo controlo dos seus corpos. Em causa a tradição, a lealdade, a gravidez e a adopção. Milcho Manchevski que também viu o seu filme BEFORE THE RAIN nomeado para os Óscares, venceu ao longo da sua carreira mais de 30 prémios em eventos internacionais. Nascido na Madedónia, tem a sua actividade actualmente sediada em Nova Iorque e cruza-a com a de professor em diversas universidades e escritor.

 

DE NOVO, A HUNGRIA E BÉLA BAGOTA

Ainda presente no Porto, acompanhado pelo produtor do seu filme, Béla Bagota vence com VALAN: VALLEY OF ANGELS os prémios de Realização e Argumento, com este se 1º filme. De facto, chegou ao Porto  já como o Melhor Realizador nos Prémios de Cinema Húngaros recentemente atribuídos. Apesar da sua jovem carreira, demonstra já ser um nome a seguir nos próximos tempos no mercado de cinema Mundial. Em princípio, o filme poderá ser revisto no próximo Domingo, aquando a exibição dos filmes premiados no Rivoli. O argumento gira em torno de um polícia que regressa à sua terra natal, Válan, esperando encontrar a sua irmã menor, a qual não vê há vinte anos. Entretanto descobre um corpo na floresta.

Importante será de referir que a Secção Oficial Semana dos Realizadores – Prémio Manoel de Oliveira se realiza pela 30ª vez, tendo aberto o conceito do festival Internacional de Cinema do Porto a todo o cinema, independentemente do seu género.